Garimpo ilegal em terra indígena tem que ser 'sufocado' em termos financeiros, diz presidente do Ibram

O presidente do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) e ex-ministro Raul Jungmann defendeu nesta quarta-feira (25), em entrevista à GloboNews, a adoção de medidas para sufocar financeiramente o garimpo ilegal em terras indígenas.
Segundo Jungmann, essa é a única maneira para que os grupos de criminosos deixem de invadir reservas como a Terra Indígena Yanomami – uma prática que levou à crise sanitária vivida pelos povos originários no local.
“Não basta apenas fazer ação social e policial, retirando esses garimpeiros das terras indígenas. Não é só repressão, é preciso tirar mercado deles, sufocar esse setor que está contribuindo para essa tragédia”, afirmou Jungmann.
O político já foi ministro da Defesa e, à época, acompanhou de perto a situação desses povos. Como as reservas ficam em áreas remotas, é comum que as Forças Armadas atuem na proteção e na assistência aos indígenas.
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Jungmann calcula que metade da produção de ouro no Brasil, que supera cem toneladas por ano, é ilegal.
“Toda essa produção ilegal vem da destruição da floresta dos povos indígenas, o que representa US$ 2,5 bilhões de mercado”, afirmou.
O presidente do Ibram propôs à Receita Federal a adoção da nota fiscal eletrônica para comercializar o ouro – o que permitiria rastrear a origem e o destino do ouro no Brasil.
“Hoje, as notas são redigidas à mão, um caminho para a ilegalidade”, afirmou, que também está propondo um selo para o ouro legal no Brasil, para evitar a exportação do produto ilegal.
“Nós estamos reunindo todas as principais joalherias dos Brasil e as mineradoras legais, que fazem parte do IBRAM, para que elas formem um pacto voltado para a certificação legal do ouro”, disse.

Fonte: G1

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